Pimenta preta
Piper nigrum L. – Piperaceae
A pimenta-preta uma liana herbácea perene. O fruto é uma drupa e, durante o amadurecimento, muda de cor do verde para o vermelho. A pimenta-preta é originária do sudoeste da Índia, sendo atualmente cultivada sobretudo na Índia, Indonésia, Malásia, no Ceilão (Sri Lanka) e no Brasil. A parte medicinal da planta é o fruto seco e imaturo das plantas cultivadas.
Os principais constituintes da pimenta-preta são alcaloides amídicos, presentes em concentrações entre 5 e 10%. Trata-se de amidas de piperidina com ácidos estereoisoméricos, nomeadamente o ácido piperínico e o ácido cavicínico. Os alcaloides mais importantes são a piperina e a cavicina. No fruto da pimenta-preta predomina a piperina, enquanto o sabor picante é atribuído à cavicina, que apresenta uma consistência resinosa. A pimenta-preta é uma fonte rica de numerosas substâncias biologicamente ativas, como monoterpenos e sesquiterpenos, bem como outros compostos voláteis. O fruto da pimenta-preta contém ainda óleo essencial, presente em teores entre 1 e 3,5%, constituído maioritariamente por hidrocarbonetos monoterpénicos.
A pimenta-preta é uma das especiarias mais utilizadas no mundo. Os seus diversos efeitos benéficos para a saúde humana foram comprovados por numerosos estudos, tanto em modelos animais como em seres humanos. A piperina é o principal composto bioativo da pimenta-preta, sendo responsável pelas suas ações imunomoduladora, anticancerígena, antiasmática, hepatoprotetora, anti-inflamatória e antimicrobiana. Além disso, esta planta possui um forte potencial antioxidante e a capacidade de melhorar a absorção de alguns medicamentos, como a rifampicina, a sulfadiazina, as tetraciclinas e a fenitoína. Na medicina tradicional indiana, a pimenta-preta é utilizada para o controlo da diabetes, para a estimulação do sistema nervoso central, como tónico digestivo, como afrodisíaco e como antipirético, tendo também um efeito positivo sobre o perfil lipídico (normaliza os níveis de colesterol no sangue). Esta planta está incluída em muitas outras formulações, uma vez que melhora a biodisponibilidade de numerosas substâncias ativas, entre as quais se destaca a curcumina. É amplamente reconhecido que a pimenta-preta apresenta múltiplos benefícios para a saúde. Tradicionalmente, é utilizada no tratamento de dores, tremores, reumatismo, gripe, dores musculares, constipações, febre e estados de exaustão, bem como para melhorar a circulação, estimular a secreção salivar, aumentar o apetite e promover a peristalse intestinal. Possui ainda uma atividade antimicrobiana de largo espectro (ação antibacteriana e antifúngica) e pode ser utilizada para gargarejos em casos de inflamação da garganta. Atualmente, a investigação científica está cada vez mais focada no papel da pimenta-preta como antioxidante na prevenção de doenças degenerativas e como potenciador da biodisponibilidade de outras substâncias bioativas, incluindo medicamentos de origem vegetal.
