Gengibre

Zingiber officinale L. – Zingiberaceae

Gengibre

Gengibre é uma planta herbácea perene cultivada em regiões tropicais e subtropicais. A sua origem é o sudeste asiático, tendo depois o seu uso-se expandido para todo o mundo. Inicialmente, era usado como especiaria, devido ao seu sabor característico, mas posteriormente encontrou aplicação na medicina tradicional devido às suas propriedades terapêuticas.

A parte medicinal da planta é o rizoma. No rizoma estão presentes compostos fenólicos (fenilalcanóis – gingeróis, fenilalcanenos – shogaóis, diarilheptanoides – gingeronas). O rizoma contém também óleo essencial, no qual se encontram derivados sesquiterpénicos (zingibereno, zingiberol, curcumeno, bisabolona, farneseno) e monoterpenos (cânfora, β-felandreno, geranial, neral). Os maiores produtores de óleo essencial de gengibre são Austrália, Vietname, Japão e Ceilão.

As propriedades terapêuticas do gengibre são atribuídas aos compostos acima mencionados. Graças à sua ação anti-inflamatória (reduz a resposta inflamatória) e antioxidante (neutraliza os radicais livres), o extrato oleoso do rizoma de gengibre desempenha um papel importante no fortalecimento das defesas do organismo. Vários estudos também comprovaram a sua ação antimicrobiana, pelo que se recomenda a sua utilização em diversas infecções virais e bacterianas.

Leaves

Esta planta possui um excelente potencial no tratamento de doenças degenerativas, como a artrite reumatoide, devido à sua ação anti-inflamatória. O óleo essencial e os componentes não voláteis do gengibre aumentam o tônus e a peristalse do trato digestivo. Promovendo a salivação e a secreção de sucos e enzimas gástricas, desempenhando assim um papel importante no processo de digestão. Devido à presença de compostos picantes, também é utilizado como antiemético (substância contra náuseas e vómitos), especialmente em casos de doença de movimento (cinetose). O gengibre também apresenta efeitos inotrópicos positivos sobre o coração, ajuda a reduzir a hipertensão e exerce um efeito benéfico na prevenção e tratamento da aterosclerose. O consumo de gengibre antes do exercício físico pode reduzir dores musculares, resultado da sua ação anti-inflamatória.

Apesar de muitos avanços médicos, o cancro continua a ser a segunda causa de morte no mundo. O tratamento do cancro depende do estágio e do tipo da doença, incluindo cirurgia, radioterapia e terapias sistémicas (quimioterapia e terapias hormonais). A radioterapia e as terapias sistémicas apresentam diversos efeitos secundários, como náuseas, vómitos e enfraquecimento do sistema imunitário. O uso da medicina tradicional à base de plantas entre estes pacientes tem-se tornado cada vez mais frequente, e o gengibre ocupa aqui um lugar importante. Estudos pré-clínicos demonstraram que o rizoma de gengibre possui propriedades antineoplásicas (anticancerígenas), sendo também eficaz na redução de náuseas e vómitos após radioterapia e quimioterapia.

A utilização do gengibre é contraindicada em casos de obstrução das vias biliares e durante a náusea matinal no primeiro trimestre de gravidez.

Referências

Корпа