Vitamina D3

Pill

Colecalciferol

Vitamina D3 é um derivado esteróide caracterizado por um anel B aberto. É sintetizada a partir da provitamina ergosterol nas plantas e do 7-deidrocolesterol nos animais. A luz ultravioleta cliva o anel B, permitindo a síntese de vitamina D3 na pele de humanos e animais. A vitamina D3 é lipossolúvel, ou seja, dissolvida em gorduras. As pessoas podem obter esta vitamina de duas formas: através da ingestão de alimentos ricos em vitamina D3 (óleo de peixe, gema de ovo, leite, manteiga, fígado) e pela fotólise do 7-deidrocolesterol na pele.

Necessidades diárias: Dose diária recomendada: Até aos 18 anos, a dose diária recomendada é de 10 mcg, reduzindo-se para 5 mcg a partir dessa idade. Durante a gravidez e a lactação, recomenda-se um acréscimo de 5 mcg/dia de colecalciferol.

Ingestão Diária Recomendada (IDR) de Vitamina D
Idade Macho Fêmea Gravidez Lactação
0-12 meses
10 mcg (400 IU)
10 mcg (400 IU)
1-13 anos
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
15-18 anos
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
19-50 anos
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
51-70 anos
15 mcg (600 IU)
15 mcg (600 IU)
71+ anos
20 mcg (800 IU)
20 mcg (800 IU)

Metabolismo da vitamina D3: A vitamina D3 mistura-se com as micelas intestinais e é absorvida no intestino delgado, na presença de ácidos biliares. No sangue, liga-se a uma proteína específica e este complexo é transportado para o fígado. No fígado, ocorre uma reação de hidroxilação, formando 25-hidroxivitamina D3 (calcidiol), que circula no plasma ligado à α-globulina ligadora de vitamina D. Grande parte desta forma de vitamina D sofre circulação entero-hepática. O calcidiol é a principal forma de armazenamento da vitamina D, sendo depositado no fígado, nos músculos e no tecido adiposo. Nos túbulos renais, ossos e placenta, ocorre novamente a reação de hidroxilação, formando-se 1,25-di-hidroxivitamina D3 (calcitriol). Este processo é regulado pela hormona paratiroideia (PTH), pelo fosfato sérico e pela própria concentração da vitamina. Os recetores da vitamina D são homólogos dos recetores das hormonas esteróides e encontram-se no citoplasma e no núcleo das células. Embora o nome vitamina D3 seja comummente utilizado, não se lhe pode atribuir totalmente o nome de vitamina, pois não é completamente essencial e tem propriedades hormonais (é sintetizada num órgão e atua noutros).

Leaves

Significado bioquímico: A vitamina D participa na manutenção da homeostasia do cálcio e do fósforo, influencia a divisão celular, a espermatogénese, a ovulação, a lactação e a imunogénese.

Deficiência de vitamina D: A deficiência de vitamina D pode ocorrer quando a ingestão habitual, durante um longo período, é inferior à recomendada, quando a exposição à luz solar é limitada, quando os rins não conseguem sintetizar a forma ativa da vitamina D ou quando a absorção pelo tubo digestivo é inadequada. As principais características bioquímicas da deficiência de vitamina D são a hipocalcemia e a hipofosfatemia. A falta desta vitamina é mais comum em pessoas com alergia ao leite e derivados, pelo que o consumo destes produtos é limitado mesmo em quem segue uma dieta vegetariana ou vegan. Nas crianças, a deficiência de vitamina D manifesta-se como raquitismo. Trata-se de uma doença caracterizada pela falha na mineralização do tecido ósseo, levando a deformidades esqueléticas. Para além das deformidades ósseas, o raquitismo pode também provocar atraso no desenvolvimento, cardiomiopatia, crises de hipocalcemia, espasmos tetânicos e anomalias dentárias. O aleitamento materno prolongado sem suplementação de vitamina D3 pode provocar raquitismo nos recém-nascidos. Em adolescentes e adultos, a deficiência de vitamina D pode também levar à osteomalácia, uma condição em que os ossos apresentam uma mineralização incompleta ou defeituosa. Os sintomas da osteomalácia são muito semelhantes aos do raquitismo, ou seja: dores ósseas, crises de hipocalcemia, espasmos tetânicos e alterações dentárias.

O excesso de vitamina D3 pode ser o resultado do uso descontrolado desta vitamina, quando surgem sintomas de toxicidade, como fraqueza, vómitos, diarreia e dor de cabeça. A hipervitaminose a longo prazo leva a distúrbios da função renal e calcificações na pele, pulmões e coração. Numerosos estudos comprovam a relação entre a ingestão de vitamina D3 e uma menor incidência de doenças ósseas (raquitismo, osteoporose), doenças cardiovasculares, depressão, esclerose múltipla, diabetes tipo II, bem como doenças malignas. Estudos laboratoriais e em animais sugerem que a vitamina D pode inibir a carcinogénese e atrasar a progressão tumoral. Além disso, esta vitamina tem efeitos anti-inflamatórios, imunomoduladores e antiangiogénicos.

A vitamina D pode interagir com vários tipos de medicamentos, tais como:
Orlistato: um medicamento para a perda de peso, pode reduzir a absorção de vitamina D3 proveniente de alimentos e suplementos.
Estatinas: medicamentos que inibem a síntese de colesterol; como a vitamina D3 é sintetizada a partir do colesterol, estes medicamentos podem reduzir a síntese de vitamina D. Da mesma forma, doses elevadas de vitamina D3 podem reduzir a eficácia da atorvastatina e da sinvastatina.
Corticosteróides: podem reduzir a absorção de cálcio e interferir com o metabolismo da vitamina D3.
Diuréticos tiazídicos: reduzem a excreção de cálcio pela urina. A combinação destes medicamentos com a vitamina D3 pode levar a hipercalcemia, especialmente em idosos e pessoas com insuficiência renal.

Referências

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